Capítulo 1: Preview

Capitulo Um: O Demônio na China

Ainda estava muito cedo quando John Raven se sentou na velha cama de madeira. Estava molhado de suor.

Suspirou. Pesadelos como aquele estavam se tornando cada vez mais freqüentes, e realistas.

Olhou em volta. Estava em uma cabana caindo aos pedaços no meio da China, atrás de um demônio que estava atacando um templo havia mais de um mês. Dois exorcistas já haviam morrido tentando despachá-lo para o Inferno. Esperava não ser o próximo.

Molhou as mãos na bacia de água que estava em cima de uma mesinha e lavou o rosto. Levantou-se e começou a se arrumar para sair. Vestiu o seu costumeiro terno preto, mas dispensou o paletó e enrolou as mangas da camisa social, deixando à mostra seus braços cobertos de tatuagens de proteção. Pegou sua arma, uma Colt 45 com amuletos gravados, e verificou seu cartucho de balas. A munição que estava utilizando eram balas cujo chumbo fora derretido em água benta. Cada bala havia sido abençoada com uma oração.

Beijou o terço que estava enrolado em seu pulso e saiu da cabana.

Respirou o ar puro do campo e verificou se nada havia danificado o selo de proteção que havia riscado na porta de sua cabana. Após ter checado tudo, olhou para o céu azul e sorriu. Estava de bom humor, mesmo depois daquele pesadelo.

Um pequeno garoto lhe entregou uma tigela com um pouco de arroz.

 - Xìe xìe – Agradeceu, fazendo o garoto sorrir.

Enquanto comia, John observava a vila. Era repleta de pequenas construções de madeira, as moradas de seus habitantes. Os camponeses que passavam olhavam com o rabo do olho aquele homem estranho, trajado com vestes formais, comendo arroz de pé na grama. Era uma cena estranha.

- Bom Dia!- Disse alguém às suas costas.

John virou-se na direção da voz e avistou um monge caminhando em sua direção, sorrindo.

 - Kwan! – Exclamou. – Bom dia!

O velho parou ao seu lado.

 - Você fará hoje?- Perguntou Kwan.

 - Sim – Respondeu Raven – Estava me dirigindo para o templo agora.

- Importa-se se eu o acompanhar?

- De maneira alguma.

E então os dois se puseram a caminho do templo.

  - Está nervoso? – Perguntou o monge.

- Não – respondeu John, casualmente – é um demônio mediano, nada muito preocupante.

- Já tirou a vida de dois exorcistas…

- Eu não sou um exorcista comum, Kwan. – Interrompeu John.

Os dois permaneceram em silêncio pelo resto do caminho.

Não muito tempo depois, John avistou a silhueta do templo. Era uma construção simples, de madeira, que repousava imponente no topo de uma colina, em contraste com o céu azul.

- Que horas são? – perguntou John, apontando para um relógio de sol ao lado do templo.

- Seis e meia. – respondeu Kwan – por quê?

-Estarei de volta seis e trinta e cinco. – Disse John, e passou pela porta.

O interior do Templo estava iluminado apenas por alguns raios de sol que entravam por buracos carcomidos no teto. Havia um pequeno altar em frente a uma grande estátua de Buda, com um incenso aceso, perfumando o ambiente.

John se virou e calmamente riscou um selo na porta, para lacrá-la, e depois foi até o altar e apagou o incenso. Usou-o para escrever uma oração em latim no chão, no centro do Templo. Após terminar, começou a recitar as palavras escritas em voz alta, com um ritmo quase cantado. Algum tempo depois começou a ouvir grunhidos, como se alguém estivesse sendo torturado. Continuou recitando a oração, até que sentiu um forte cheiro de enxofre e escutou um baque surdo atrás de si.

Continua.. MWHAHAHA….

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